Participar do MaturiFest foi, para mim, mais do que participar de um evento voltado para pessoas 50+.
Foi uma experiência que trouxe muitas reflexões sobre trabalho, longevidade, empreendedorismo, autoconhecimento e, principalmente, sobre a maneira como nós, pessoas maduras, enxergamos o nosso próprio futuro.
Realizado pela Maturi, o MaturiFest se consolidou como um dos principais encontros brasileiros dedicados ao trabalho, empreendedorismo e longevidade.
A edição de 2026, realizada entre 13 e 15 de agosto, aconteceu na Unibes Cultural, em São Paulo, reunindo profissionais, especialistas, empreendedores e pessoas interessadas em continuar ativas e relevantes depois dos 50 anos.
E isso faz diferença.
Um evento que vai muito além da idade
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação precisa entrar cada vez mais nas nossas decisões.
Quando chegamos à maturidade ainda podemos ter pela frente mais 20, 30 anos ou até mais de vida.
Não estamos falando, portanto, apenas de “envelhecer”, mas de pensar como queremos viver esse novo período: continuar trabalhando, empreender, aprender, construir novos relacionamentos, cuidar da saúde, participar da sociedade e, principalmente, encontrar novos sentidos para a vida.
E uma das coisas que mais me chamou a atenção no MaturiFest foi o nível do evento, voltado a esta realidade.
Não se trata simplesmente de uma programação para pessoas maduras. O MaturiFest coloca no mesmo espaço profissionais que são referências em suas áreas, especialistas em carreira e empreendedorismo, executivos, pesquisadores e também personalidades conhecidas do grande público.
Nas diferentes edições, nomes como Ana Paula Padrão, Ary Fontoura, Beth Goulart, Caito Maia, Carolina Ferraz, Hortência Marcari, Luiza Brunet, Paola Carosella, Zezé Motta, Zezé Polessa e outros profissionais e personalidades já passaram pelos palcos do festival.
A programação incluiu temas como inteligência artificial, reinvenção profissional, LinkedIn, marketing digital, empreendedorismo, finanças e empregabilidade.
Além disso, os números mostram que não estamos falando de um evento pequeno ou de um movimento passageiro.
O MaturiFest já acumulava mais de 10 mil participantes, 200 palestrantes e mais de 500 horas de conteúdo ao longo de suas edições.
Ou seja, existe uma demanda real por esse tipo de discussão.
Por que tantas mulheres 50+?
Uma das coisas que me chamou bastante a atenção foi a presença feminina.
Na minha experiência durante o evento e nas conversas que tive com participantes, aproximadamente 80% das pessoas que acompanharam o evento eram mulheres.
Esse dado merece uma reflexão.
Não acredito que seja simplesmente porque as mulheres estejam mais interessadas em envelhecimento. Existe uma história por trás disso.
Muitas mulheres que hoje estão chegando aos 50, 60 ou mais passaram décadas conciliando carreira, filhos, cuidados com familiares e responsabilidades domésticas.
O próprio IBGE mostra essa diferença. Em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas.
Consequentemente, quando determinadas responsabilidades começam a diminuir, surge uma pergunta que talvez tenha ficado adiada por muitos anos: “E agora, o que eu quero para mim?”
Talvez seja justamente por isso que eventos como o MaturiFest encontrem tanta receptividade entre as mulheres maduras.
O etarismo também pode morar dentro de nós
Mas existe uma questão que apareceu de maneira muito clara nas conversas que tive: o etarismo não vem apenas de fora.
O autoetarismo ainda é muito forte entre pessoas 50+, especialmente quando começam a pensar em uma nova carreira, em voltar ao mercado de trabalho ou em empreender.
A pessoa olha para si e pensa: “Será que não estou velha demais?”, “Quem vai me contratar?”, “Não tenho mais idade para começar algo novo”, “Os mais jovens sabem muito mais de tecnologia”, “Por que perguntaram minha idade na entrevista?”.
Essas frases parecem simples. Entretanto, podem se transformar em verdadeiras barreiras internas.
É claro que o etarismo existente no mercado de trabalho é real e precisa ser enfrentado. A própria Maturi trabalha diretamente com empregabilidade e diversidade etária e já registra mais de 279 mil profissionais cadastrados e 9.200 pessoas 50+ recolocadas.
Porém, existe outra batalha acontecendo simultaneamente: aquela que travamos dentro de nós mesmos.
E é aqui que entra uma palavra que considero fundamental: autoconhecimento.
Autoconhecimento pode abrir novas possibilidades
Quando falamos em autoconhecimento, muitas vezes parece que estamos falando apenas de desenvolvimento pessoal. Para mim, não é só isso.
Conhecer melhor quem somos, nossas competências, valores, interesses, experiências e aquilo que realmente queremos pode mudar a maneira como enxergamos o futuro.
E isso tem consequências muito práticas.
Uma pessoa que reconhece seus conhecimentos acumulados ao longo de 30 ou 40 anos de trabalho pode descobrir que não precisa necessariamente voltar a fazer exatamente aquilo que fazia antes.
- Pode transformar experiência em consultoria.
- Pode ensinar.
- Pode empreender.
- Pode prestar serviços.
- Pode construir uma nova carreira.
- Pode trabalhar em parceria com pessoas de outras gerações.
- Pode, inclusive, descobrir que algumas habilidades que sempre considerou “normais” são justamente aquelas pelas quais outras pessoas estão dispostas a pagar.
Portanto, antes de perguntar “quem vai me contratar?”, talvez seja interessante perguntar:
“O que eu tenho para oferecer?”
Essa mudança de pergunta pode parecer pequena. No entanto, ela muda completamente a perspectiva.
A experiência não desaparece aos 50 ou 60
Uma das mensagens que mais levo do MaturiFest é justamente essa: envelhecer não significa deixar de construir.
O mercado mudou, a tecnologia mudou e muitas profissões também mudaram.
Por isso, continuar aprendendo é indispensável. Ao mesmo tempo, experiência, repertório, capacidade de análise, relacionamento e conhecimento acumulado continuam tendo valor.
A questão é aprender a transformar tudo isso em algo que faça sentido para o presente.
E isso exige movimento.
O próprio Maturi reúne atualmente iniciativas voltadas a empregabilidade, empreendedorismo, tecnologia, autoconhecimento e desenvolvimento profissional para pessoas 50+.
Por isso, minha experiência no MaturiFest reforçou uma convicção que também está no centro do trabalho da Life Transition: grandes mudanças não começam necessariamente quando encontramos uma nova oportunidade.
Muitas vezes, elas começam quando mudamos a maneira como enxergamos a nós mesmos.
Aos 50, 60 ou 70 anos, talvez a pergunta mais importante não seja “será que ainda dá tempo?”
Talvez seja: “O que eu ainda posso construir com tudo aquilo que já vivi?”
E essa, para mim, foi uma das grandes experiências que trouxe do MaturiFest.
E se você sente que já quer dar o próximo passo em sua jornada, fale conosco que poderemos te ajudar.



