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Quando cuidar dos outros impede você de seguir seu caminho

Durante boa parte da vida, cuidar dos outros pode parecer o caminho mais natural do mundo.

Primeiro vêm os filhos, depois a casa, o trabalho, o companheiro, os pais, as preocupações da família. Aos poucos, a rotina se organiza em torno das necessidades de outras pessoas.

E isso acontece particularmente com as mães. Elas aprendem, desde cedo, a cuidar, organizar, antecipar problemas e colocar a família em primeiro lugar. Fazem isso por amor, responsabilidade e, muitas vezes, porque acreditam que esse é o seu papel.

Porém, chega um momento em que os filhos crescem. Cada um segue seu próprio caminho, constrói sua vida, muda de casa, forma sua família e passa a tomar suas próprias decisões.

Quando o cuidado deixa de ser necessário

A mudança nem sempre acontece de forma brusca. Às vezes, ela começa silenciosamente.

Os filhos já não precisam dos mesmos cuidados. As tarefas diminuem. A rotina fica mais tranquila. Há mais tempo disponível, mas também pode surgir uma sensação estranha de vazio.

A pessoa olha para a própria vida e percebe que sabe muito sobre as necessidades dos outros, mas pouco sobre as suas próprias vontades.

O que eu gosto de fazer?
O que me dá prazer?
Quais são meus projetos?
O que eu gostaria de aprender?
Que experiências ainda quero viver?

Essas perguntas podem provocar insegurança. Afinal, durante muitos anos, cuidar da família foi uma parte importante da identidade daquela pessoa.

Por isso, não se trata simplesmente de “arrumar alguma coisa para fazer”. Antes disso, pode ser necessário reconhecer quem você é para além do papel que desempenhou dentro da família.

O papel que assumimos dentro da família

Toda família desenvolve, ao longo do tempo, uma determinada dinâmica. Cada pessoa ocupa lugares, assume responsabilidades e desempenha papéis.

Alguns se tornam o provedor. Outros assumem o papel de cuidador. Há quem seja responsável por manter todos unidos, quem resolva os problemas e quem esteja sempre disponível quando alguém precisa.

Esses papéis podem funcionar muito bem durante determinada fase da vida. Entretanto, quando as circunstâncias mudam, eles também podem precisar ser revistos.

Assim, quando os filhos crescem, por exemplo, a relação continua existindo, mas a forma de cuidar precisa mudar. O filho adulto já não precisa da mesma mãe ou do mesmo pai que precisava quando era criança.

E isso pode ser difícil.

Permitir que o outro siga o próprio caminho também significa encontrar um novo lugar para si.

Um olhar sistêmico pode trazer novas perguntas

É justamente nesse momento que o olhar sistêmico pode ajudar.

Na Constelação Familiar, a pessoa pode observar sua história e suas relações familiares a partir de outra perspectiva. Em vez de olhar apenas para o problema atual, procura-se compreender também os vínculos, os papéis e determinados padrões que podem estar presentes naquele sistema familiar.

Isso não significa encontrar uma explicação simples para tudo o que acontece. Nem significa atribuir à família a responsabilidade por todas as nossas escolhas.

O olhar sistêmico pode, entretanto, ajudar a perceber algumas questões que estavam tão presentes no cotidiano que acabaram passando despercebidas.

  • Por que eu sinto que preciso estar sempre disponível?
  • Por que tenho dificuldade em colocar minhas próprias necessidades em primeiro plano?
  • O que acontece comigo quando deixo de cuidar de alguém?

A partir dessas perguntas, pode surgir uma nova compreensão.

E, muitas vezes, compreender melhor o que está acontecendo já representa um primeiro passo para começar a construir uma nova etapa.

Depois de cuidar tanto dos outros, é hora de olhar para você

Encontrar um novo propósito ou resgatar aquele adormecido não significa abandonar a família ou deixar de cuidar de quem você ama.

Significa perceber que você também faz parte da equação.

Depois de tantos anos dedicados aos filhos e à família, talvez seja o momento de descobrir interesses que ficaram esquecidos, retomar sonhos antigos ou simplesmente experimentar algo novo sem a obrigação de produzir, agradar ou cuidar de alguém.

Pode ser um curso, uma viagem, um projeto, uma nova atividade profissional ou simplesmente uma oportunidade de conhecer novas pessoas e possibilidades. Iniciativas como a Maturi mostram que a vida depois dos 50 também pode abrir espaço para novos projetos, conexões e experiências.

O importante é que a escolha comece a fazer sentido para você.

A chegada dos filhos à vida adulta, a aposentadoria ou qualquer outra grande transição pode trazer uma sensação de perda. Mas também pode abrir espaço.

Por isso, quando você perceber que não sabe mais exatamente qual é o seu lugar ou o que deseja fazer daqui para frente, talvez não precise encontrar imediatamente uma resposta.

Primeiro, permita-se fazer novas perguntas.

Quem sou eu quando não estou cuidando de alguém?

A resposta pode não aparecer de uma hora para outra. Porém, ela pode indicar o caminho para uma nova fase da vida, construída não apenas a partir das necessidades dos outros, mas também dos seus próprios desejos, possibilidades e escolhas.

Se quizer conversar um pouco, estamos aqui para te atender.

Danilo Endler

Com uma trajetória empresarial de quase três décadas à frente da Edeaas Comunicação, dedica-se ao desenvolvimento humano e ao acompanhamento de pessoas em suas grandes viradas de vida. Pós-graduado em Constelação Sistêmica Familiar e com formação em Desenvolvimento Integrativo pela ACI — certificado pela ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Transpessoal) — e com vivência em grupos de estudo e desenvolvimento na ABRH-SP, une a vivência prática do mundo dos negócios à sensibilidade do olhar sistêmico e transpessoal.