Post Life Transitions Satisfação do Cliente
Post Life Transitions Satisfação do Cliente

ENCANTAR OU EMPOLGAR O CLIENTE

Encantar me parece uma expressão pedante. Ela me remete aos personagens de Machado de Assis.

A mocinha, vestida com seda e rendas, carregando uma sombrinha branca com florinhas lilases e franjinha rendada, estende o braço com a mão voltada para baixo, num gesto bem feminino.

O jovem, com terno claro, colete, colarinho da camisa com as pontas salientes e uma gravata discreta, retira o chapéu, toca a ponta dos dedos os da mocinha e diz: “Encantado em conhece-la senhorita!”

Nas relações de negócios, o objetivo real é o de empolgar o cliente, deixando-o mesmerizado e entusiasmado com a qualidade do serviço recebido, a ponto de se tornar um multiplicador na divulgação elogiosa do que recebeu.

Qualidade do serviço

Isso nos remete ao conceito do que é a qualidade do serviço.

Serviço é um bem intangível e a avaliação da sua qualidade passa pelas percepções subjetivas do tomador, muito mais do que o desfecho bem-sucedido da sua prestação.

Por exemplo, ao fazer uma viagem aérea, caso o avião haja partido e chegado exatamente no horário previsto, dentro do conceito da companhia aérea esse foi um serviço perfeito.

Contudo, na percepção do cliente e segundo as suas expectativas ele poderá considerar o serviço recebido como ruim ou péssimo.

No extremo oposto, uma viagem com grandes atrasos na partida e na chegada pode entusiasmar o cliente que fará comentários elogiosos com os amigos sobre a atitudes da empresa aérea na gestão de uma crise.

O mesmo se repete em todos os casos em que há a compra de serviços.

Conforme me ensinou Meister, de Harward, a qualidade do serviço pode ser medida numa expressão matemática muito simples:

Qs = Sr – Se

Ou seja, a Qs (qualidade do serviço) é = (igual a) Sr (percepção do serviço recebido) (menos) Se (a expectativa do serviço que receberia).

Ou, melhor explicando: cada vez que o indivíduo contrata um serviço ele tem formada na sua fantasia uma expectativa do serviço que irá receber (Se).

Caso ele tenha a percepção de que recebeu mais do que esperava (Sr) o resultado da equação (Qs) será positivo e ele considerará que recebeu um serviço de boa qualidade.

Alguns pontos a ressaltar:

  • A avaliação do serviço é feita através de uma percepção, que é um fator não objetivo e totalmente subjetivo. Isso significa que não há um critério universal de avaliação do serviço, pois o mesmo varia segundo a expectativa de cada cliente. O que eu espero de uma companhia aérea pode ser diferente daquilo que você espera dela.
  • Uma vez recebido o serviço e sendo ele considerado de boa qualidade, isso significa que o cliente recebeu mais do que esperava. Contudo, o cliente passa a integrar na sua expectativa exatamente aquilo que ele acabou de receber a mais, ou seja, criando um novo patamar para o serviço que espera receber na próxima vez.
  • Caso na próxima compra o prestador repita o desempenho anterior, a avaliação do cliente será neutra, ou seja, recebeu o que esperava e a equação dá resultado zero. Esta característica desafia e estimula o prestador a constantemente superar-se, caso queira manter a sua imagem de excelência, agregando valor e surpreendendo o cliente a cada caso, para mantê-lo entusiasmado.

Um exemplo de Meister

Tomando um exemplo do próprio Meister para exemplificar alguns desses pontos, relatou ele que, quando hospedou-se num hotel no Brasil, encontrou algo que, na ocasião, lhe era uma novidade: na privada, sobre a tampa e envolvendo-a, havia uma cinta de papel com dizeres que informavam ter sido o vaso sanitário higienizado e desinfetado.

Tempos após, ao voltar ao mesmo hotel, constatou que não havia a cinta sobre a tampa.

Surpreso, ele nos descreveu sua reação: “Será que esqueceram de limpar a privada? É seguro utilizá-la? Será que vou pegar alguma doença?”

Ou seja, aquela simples cinta de papel, que custa centavos, havia se integrado nas suas expectativas do serviço a receber.

Esse exemplo ilustra também o fato de que o prestador de serviços precisa ter consistência no que entrega, pois, deixar de fazer algo que ele próprio incluiu nas expectativas do tomador, pode ter efeito devastador na imagem que o cliente tem a seu respeito.

O grande problema para o prestador de serviços é como atingir esses objetivos sem agregar custos, ou agregando-os quando puderem ser transferidos para o cliente em decorrência de acréscimo no valor recebido.

Vale refletir!

Ewaldo Endler (in memoriam)

Este artigo foi escrito por Ewaldo Endler (in memoriam), idealizador do Life Transitions. Com mais de 50 anos de atuação em Recursos Humanos e desenvolvimento de pessoas, deixou um importante legado de conhecimento e reflexão que continua inspirando pessoas em suas jornadas de transformação.