2032: A EXTINÇÃO EM MASSA DAS CONSULTORIAS
Life Transitions Fim das Consultorias

2032: A EXTINÇÃO EM MASSA DAS CONSULTORIAS

O fenômeno já está em curso. Como ocorre com todas as mudanças sociais, ele não é um fato instantâneo, mas um processo que culmina numa certa data convencionada.

O mundo do trabalho passará por mudanças profundas, que são descritas neste artigo.

Com elas haverá uma drástica redução no universo dos clientes corporativos, sendo que a sobrevivência das consultorias comportamentais se deslocará para o suporte aos indivíduos.

Este será o mercado promissor para as próximas décadas.

Estamos vivendo uma mudança de era, que se iniciou em 1991. Nesse ano, nos Estados Unidos, os investimentos em Tecnologia da Informação superaram os investimentos feitos no país em Tecnologia da Produção (US$ 112 bilhões x US$ 107 bilhões).

Esse fato marca o início da passagem da ERA INDUSTRIAL para a ERA DO CONHECIMENTO. É uma revolução que vai mudar profundamente a estrutura da sociedade e a da geração de riqueza.

Nas palavras de Peter Drucker:

”O fator real, o recurso limitador e absolutamente decisivo, ou seja, o “fator de produção” não é hoje o capital, a terra ou o trabalho. É o conhecimento. Ao invés de capitalistas e proletários, as classes da sociedade pós-capitalista serão os trabalhadores do conhecimento e os serviçais”.

Peter Drucker

O Mundo do Trabalho Mudou

O grande problema, do qual poucos têm consciência, é que o mundo do trabalho mudou, está mudando e vai mudar ainda mais, nos seguintes aspectos:

Relação Transitória

O fato é que pessoas com entre 50 e 60 anos de idade tiveram, em média, 3 a 4 empregos na sua vida profissional.

As gerações atuais terão 10 a 12 empregos. O emprego tornou-se uma relação transitória, cujo tempo médio de permanência é hoje um pouco menor do que 3 anos (esses dados são reais, baseados em milhares de currículos).

Além disso, cada vez mais o trabalho do profissional do conhecimento vai se tornar uma relação por projetos, com a participação de equipes multifuncionais (lançar um novo produto, realocar um centro de distribuição, implantar uma nova unidade fabril, implantar um sistema ERP etc).

O grande problema será como estabelecer direcionamento e liderança em equipes cujos componentes não mantém relações hierárquicas entre si. Leia mais em: O emprego tornou-se uma relação transitória.

Relação Atemporal

O mundo é globalizado. Profissionais que trabalham em empresas multinacionais ou naquelas que mantém vínculos internacionais já sentem que a jornada das 9 às 17 horas não mais existe.

São vários fusos horários e feriados em dias diversos, segundo cada país.

Trabalhar é “fazer o que for necessário a qualquer dia e hora”.

Relação Fisicamente Descentralizada

Os recursos tecnológicos disponíveis (e surgirão outros mais eficazes) permite hoje que o trabalho seja realizado no local em que o profissional estiver naquele momento, seja em home office, em trânsito, usufruindo um feriado prolongado etc. Leia mais em: Home office desafia limite geográfico para vagas

Relação Virtual

Cada vez mais os relacionamentos pessoais serão substituídos por relações virtuais, à distância.

A evolução tecnológica permitirá a “humanização” desses contatos, através da projeção de imagens holográficas ou outra tecnologia que venha a ser desenvolvida.

A atual pandemia não é causa de nenhuma dessas relações, as quais já estão previstas desde a década de 90 do século passado.

Simplesmente, a necessidade do isolamento social, decorrente da ausência de medida preventiva eficaz, como a vacina, ou de terapia comprovada, precipitaram algumas dessas tendências. Assista ao vídeo: The magic of AI neural TTS and holograms at Microsoft Inspire

Relação de Destruição Construtiva

Ou o profissional destrói a sua carreira, ou o ambiente se encarregará de destruí-la.

Em decorrência do domínio de um conhecimento o profissional consegue trabalho e renda e vive em função disso.

Contudo, o seu sucesso atrai mais pessoas para adquirir esses mesmos conhecimentos, o que leva ao processo de banalização, com aumento da concorrência e consequente perda de valor.

Isso impõe ao profissional a necessidade de constante reciclagem, com a aquisição permanente de novos conhecimentos para se manter viável no mercado de trabalho.

Conscientemente o profissional abandona (ou destrói) a carreira até então consolidada e parte para a aquisição de nova especialidade.

É previsto que TODOS terão 2 a 3 carreiras ao longo de sua vida profissional Uma das decorrências é o assim chamado “life long learning”, ou seja, manter-se em aprendizagem ao longo de toda a vida. Leia mais em: Futuro profissional exigirá reinvenção

Relação de Notoriedade

A viabilidade do profissional na conquista de trabalho e renda dependerá de sua capacidade de ser conhecido e reconhecido pela excelência de suas qualificações.

Torna-se imprescindível a consolidação de uma marca pessoal (personal branding) impactante, visível perante os públicos de influenciadores e de tomadores de decisão. Leia mais em: O trabalho no futuro e a importância da Marca Pessoal.

O Mercado de Trabalho Mudou

No passado, procurar emprego era como pescar em pesqueiro: distribuir currículos e aguardar passivamente que ocorresse uma oportunidade.

Tomar a iniciativa e se oferecer para um possível empregador era considerado inadequado e vexatório.

Atualmente, procurar emprego é uma atividade proativa, à qual o profissional deverá dedicar 8 a 10 horas por dia, começando às 7 horas da manhã.

O objetivo não é tão somente o de identificar vagas, mas também o de criar vagas, como decorrência do seu potencial de contribuição para os resultados do negócio.

O Futuro do Escritório é Incerto

A pandemia está precipitando mudanças, há muito previstas, de experimentação tecnológica e social no local de trabalho.

O escritório deixou de ser um local associado à rotina e à resignação de ser algo normal e definitivo, como parte inevitável da vida, para se tornar fonte de incerteza econômica e intensos debates sobre seu futuro. Senão, vejamos

  • Já ocorrem várias experimentações de empresas, nas quais o escritório é constituído de postos de trabalho impessoais e que não comportam a eventualidade de todos os funcionários comparecerem ao trabalho ao mesmo tempo;
  • Grande preocupação e ansiedade entre os investidores em edifícios comerciais, quanto ao futuro do seu negócio, decorrente da incerteza provocada por estruturas fisicamente descentralizadas e pelas relações virtuais
  • Como adaptar as empresas e ela se ajustarem a um padrão de frequência esporádica dos funcionários;
  • Como deverão ser alteradas as leis trabalhistas para corresponderem à nova realidade.
  • Como governos deverão reimaginar o conceito de centro das cidades e como lidar com a queda de clientela nos serviços públicos de transporte de massa;

O Futuros das Residências é Incerto

  • Como deve evoluir a arquitetura dos edifícios residenciais para integrar as novas realidades do mundo do trabalho?
  • Pessoas estão mudando do conceito de posse para o de uso dos bens, como, por exemplo, o automóvel. Nesse sentido, devem ser substituídas áreas de estacionamento por áreas de co-working?
  • Uma vez livre da necessidade de se enfiar em transportes coletivos superlotados e ser deslocado como gado, ou de enfrentar trânsito caótico em momentos de pico, poderão as pessoas optar por viver fora das grandes aglomerações metropolitanas, em locais onde os imóveis são mais baratos e em maior contato com a natureza?
  • As residências serão supridas por programas de inteligência artificial (IA), pela internet das coisas (IoT) e por sistemas autônomos de entrega, sejam veículos terrestres ou drones aéreos.

Novos Sistemas de Produção e Distribuição

Toda atividade repetitiva será robotizada.

As fábricas e centros de distribuição serão edifícios escuros, provavelmente sem janelas, pois robôs não dependem de recursos óticos para realizar seu trabalho.

Surpreendentemente, nesse novo cenário, os empregados mais estáveis e de relação mais longa com o trabalho serão os serviçais (limpeza, jardinagem, copa, manutenção, segurança e outros)

A Desempregabilização da Sociedade

Atualmente cerca de 3% da população mundial produz tudo o que a humanidade necessita de produtos agropecuários para comer, vestir, higiene e outras aplicações.

Em breve, outros 3% produzirão tudo aquilo que necessitamos de produtos manufaturados.

A participação do emprego industrial nos EUA reduziu-se de 34% da mão de obra empregada no país em 1950 para 16% ao redor de 1990, quando se iniciou fortemente a robotização, que tem impulsionado ainda mais essa tendência.

Sem dúvida, em números absolutos, os níveis operacionais serão os mais afetados pela nova realidade. Mas, ela vai também atingir, fortemente, os gestores!

Na América Latina, levantamento efetuado em 15 grandes empresas da região indicou redução de 15.7 para 12.3 gerentes a cada 100 empregados, com a eliminação de 2 a cada 10 gerentes, no período entre 1983 e 1994.

Mas, não somente o segmento industrial será afetado, como também todas as atividades humanas, como as empresas de serviços financeiros, saúde e ciências biológicas, telecomunicações, mídia e tecnologia, serviços profissionais, varejo, agronegócio etc, que devem adotar IA, machine learning e automação.

A palavra de ordem (ou da moda) atual é o spam of control.

Em muitas empresas 5 é o número mágico que define o spam of control.

Se um gestor (Diretor, Gerente, Chefe de Departamento etc.,) possui menos do que 5 subordinados diretos, deve ele ser “reciclado” (palavra suave que significa “eliminado”).

Sua equipe será redistribuída entre os sobreviventes.

Esses movimentos vão subindo em sequência na estrutura da empresa e podem atingir até mesmo os níveis de Diretoria.

O futuro é incerto, mas não é impensável chegarmos a 1 gestor para cada 100 empregados (o agronegócio é o segmento mais próximo dessa realidade).

Se pararmos para observar o mundo ao nosso redor, constataremos que muitas dessas mudanças já se encontram em curso.

Tudo indica que o processo irá adquirir velocidade alucinante.

Portanto, as consultorias empresariais devem repensar seu foco e público alvo. E rapidamente.

Quem viver, verá.

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

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