Post Life Transitions Liderança e Chefia
Post Life Transitions Liderança e Chefia

A SÍNDROME DA MEDIOCRIDADE

O consenso é a negação da liderança” – Margareth Thatcher

Há um lamentável equívoco nessa frase. A frase correta é: “O consenso é a negação da chefia”.

Não há dúvida de que profissionais que atingem cargo de Diretoria ou de Gerência de primeiro nível destacam-se como grandes gestores.

São pessoas focadas em resultados, que tomam decisões rápidas e com segurança, exigentes quanto ao desempenho da equipe e dotados de grande força impositiva da qual deriva sua autoridade.

Raros, contudo, são também líderes.

Gestores são chefes e têm subordinados; líderes têm seguidores.

Gestores tomam decisão e delegam tarefas, dizendo às pessoas o que devem fazer.

A relação é transacional, ou seja, os subordinados cumprem o que lhes foi designado porque há uma recompensa extrínseca futura, na forma de seu salário.

Líderes inspiram pessoas delegando missões e oferecendo benefícios transformacionais, com recompensa intrínseca, ou seja, além do salário, o seguidor se transformará numa pessoa melhor através da realização dos desejos que estão em seus corações.

Líderes não tomam decisões; agem como facilitadores nas decisões.

Somente pessoas inspiradas conseguem levar mais longe a tarefa de fazer da empresa um grande sucesso nos negócios.

As falhas de liderança desmotivam e burocratizam mentalmente os colaboradores.

Pessoas submetidas a chefias que apresentam comportamentos que as incomodam e que se sentem incapazes de contribuir conscientemente para os resultados da organização, desistem e se voltam para procurar outras oportunidades profissionais no mercado de trabalho.

Um processo darwiniano

Quando todos partem para a busca de um novo emprego, ocorre um processo de seleção natural, sendo previsível que os melhores e mais talentosos encontrem novas oportunidades profissionais. Os medíocres ficam porque ninguém os quer.

Com isso, dispara-se o primeiro passo para o processo de mediocrização da empresa.

Novos paradigmas

O segundo fenômeno é o desenvolvimento de novos paradigmas para a seleção de colaboradores. Este é um processo inconsciente, que acaba permeando toda a organização.

O desenvolvimento de novos paradigmas é constatado em vários aspectos dos grupos sociais.

Por exemplo, quando todos são obesos, a obesidade deixa de ser considerada um problema e as pessoas até mesmo conseguem enxergar beleza na barriga proeminente, nas nádegas monumentais ou nos pneuzinhos saltando por sobre a cintura da calça.

Na empresa a proliferação da mediocridade torna-se inconscientemente o padrão de avaliação de novos empregados ou para a promoção interna, ou seja, se o candidato tem mais ou menos a “cara” do grupo, então ele deve ser bom.

Se ele é um talento que se destaca muito dos demais, a desculpa é “ele não é adequado à nossa cultura”.

Com isso, a mediocridade se pereniza.

A potencialização do autoritarismo

Gestores cercados de medíocres têm todas as razões (ou desculpas) do mundo para se tornarem mais arbitrários, mais impositivos e mais impacientes.

Ou seja, ocorre um feedback diabólico que acentua os maus comportamentos dos gestores no seu relacionamento com os subordinados, refletidos nas queixas comuns de:

  • Superioridade;
  • Impulsividade;
  • Egoísmo;
  • Orgulho;
  • Arrogância;
  • Autopromoção;
  • Vencer ou ter razão sempre;
  • Difícil de admitir que está errado;
  • Agressividade;
  • Não ouvir sem interromper;
  • Não aceitar que os outros podem ser, agir e pensar de forma diferente;
  • Difícil de confiar nos outros;
  • Microgerenciar;
  • Controlar tudo e a todos;
  • Não delegar;
  • Não reconhecer os esforços.

Por seu lado, estas características realimentam e reforçam o próprio processo de mediocrização.

Ewaldo Endler (in memoriam)

Este artigo foi escrito por Ewaldo Endler (in memoriam), idealizador do Life Transitions. Com mais de 50 anos de atuação em Recursos Humanos e desenvolvimento de pessoas, deixou um importante legado de conhecimento e reflexão que continua inspirando pessoas em suas jornadas de transformação.