post lifetransitions merito
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QUESTÃO DE MÉRITO

Por Thais Aiello ([email protected])

“Parabéns, você arrasou”. Estes dizeres estão inscritos em um pedacinho de papel há anos guardado por Sandra Narchi Denes, uma das entrevistadas deste Painel Executivo.

Mais do que mera recordação, a mensagem materializa um aspecto freqüentemente negligenciado nas organizações: o reconhecimento do mérito que, é claro, vai muito além de uma manifestação simples e particular como a mencionada.

Na roda-viva da competitividade acirrada e das jornadas de trabalho cada vez mais longas, muitas vezes nem mesmo este estímulo singelo encontra espaço para florescer.

As dificuldades aumentam pelo fato das estruturas corporativas estarem achatadas, sem a profusão de cargos que antes eram oferecidos aos profissionais que se destacavam.

Como diferenciar a importância das pessoas e recompensá-las por seu mérito? Uma alternativa continua sendo a gratificação financeira – condição necessária, porém não suficiente.

Como afirma o headhunter consultado nesta edição, a falta de reconhecimento pode levar à perda de grandes talentos, ainda que bem remunerados.

EWALDO ENDLER
Sócio da Nextsteps do Brasil

“A necessidade de reconhecimento público dos méritos é intrínseca ao ser humano, que sempre buscou criar símbolos para qualificar a diferença das pessoas dentro do contexto social.

Surgiram assim hierarquias, títulos, cargos, sinalizando o grau de importância do indivíduo e estabelecendo sua posição no grupo.

No mundo corporativo, antigamente as empresas resolviam essa questão distribuindo cargos. As enormes estruturas piramidais favoreciam a tarefa e não havia dúvidas: quanto mais próximo do presidente, mais relevante o profissional.

Ocorria também o reconhecimento por tempo de casa, dado que fidelidade e permanência eram valores cultivados. Hoje, a realidade é outra. As relações de trabalho se tornaram mais transitórias e as estruturas organizacionais, achatadas.

Sem cargos para oferecer, as empresas começaram a premiar com bônus aqueles que se sobressaem, solicitando um tratamento confidencial para o assunto.

Isso, no entanto, impossibilita o compartilhamento do mérito com a comunidade, inviabilizando o reconhecimento público.

Assim, o grande desafio que se coloca para as organizações é o de estabelecer símbolos que, indo muito além de cargo e dinheiro, possam demonstrar a distinção entre as pessoas.

Prêmios indicativos de reconhecimento social são mais fortes do ponto de vista de adesão dos profissionais à empresa. Se o indivíduo foi o melhor funcionário do mês, certamente se sentirá valorizado com a participação nas reuniões de diretoria do período seguinte. Não há dúvidas de que esta é uma forma efetiva de compensação.

Dispor de um sistema de reconhecimento estruturado beneficia o profissional, seu grupo e toda a companhia, que tem a chance de exercitar seus valores e sinalizar, de forma transparente, o que a empresa espera de cada um”.

SANDRA NARCHI DENES
Diretora de RH da GE Latin America

“A busca do reconhecimento tem se intensificado à medida que os sinais se tornam cada vez menos visíveis, devido à redução das ofertas de crescimento interno.

Nesse contexto, as promoções paralelas ganham nova conotação e devem ser entendidas como uma forma de recompensa.

Como líder, particularmente sou contrária a prêmios em dinheiro, mas entendo que são válidos em determinadas circunstâncias. Considero interessantes as iniciativas que relacionam a gratificação com alguma forma de lazer – viagens, jantares e outras oportunidades que possibilitem integrar também a família.

Reconhecimento formal – até mesmo por e-mail – e manifestações espontâneas também são importantes.

Entendo, no entanto, que o verdadeiro reconhecimento é assegurar a quem se destaca uma maior visibilidade dentro da empresa.

O líder deve garantir que a pessoa tenha exposição na companhia, divulgando a imagem do talento. Precisa registrar, compartilhar e viabilizar que o profissional participe de reuniões importantes, expondo suas idéias e realizações.

A organização aprende e cria uma massa de conhecimento. Outro efeito positivo é o estímulo dos demais, com o sucesso de alguns servindo de motivação para que outros excedam as expectativas.”

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

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