Essencia do onboarding
Essencia do onboarding

EXECUTIVE ONBOARDING NÃO É PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL!

Executive Onboarding é um programa que tem o objetivo específico de assegurar que o novo colaborador esteja produzindo resultados em 90 a 100 dias e seja plenamente produtivo.

Ao longo dos anos tenho notado (e suportado) distorções no conceito de inovações na gestão de recursos humanos. Leigos, desinformados, tomam nomes de novas técnicas e associam aos mesmos o significado corriqueiro de palavras, sem conhecer o seu conteúdo conceitual, que é baseado em pesquisas científicas, que lhes deram a origem.

Isso aconteceu com Reengenharia, Liderança Situacional, Inteligência Emocional, mais recentemente com o conceito de Competência e, no presente, com Onboarding Executivo ou Onboarding Coaching. Muitos citam, incluem a palavra no seu cotidiano (e até mesmo discutem) sem ter noção do seu conceito.

Como primeira afirmativa, posso dizer que ONBOARDING COACHING NÃO É UM PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL DO NOVO COLABORADOR COM A EQUIPE GESTORA DA ORGANIZAÇÃO. (ou seja, seu objetivo não é o de que todos fiquem “amiguinhos” uns dos outros).

Seu objetivo é REDUZIR O TEMPO REQUERIDO PARA QUE SE ATINJA O BREAK EVEN DA CONTRIBUIÇÃO DO NOVO COLABORADOR PARA A ORGANIZAÇÃO.

O gráfico a seguir ilustra esta afirmativa.

O Gráfico

Imediatamente após sua contratação (INÍCIO), o colaborador passa por um período de integração na organização no qual sua contribuição ainda é negativa (ou seja, custa mais do que os resultados que produz). Nesse período, os efeitos do seu trabalho começam a ser sentidos, até atingir o PONTO DE INFLEXÃO, quando está gerando resultados equivalentes ao seu custo para a organização.

A partir desse ponto, passa a gerar contribuição positiva. O BREAK EVEN é atingido quando a área Sn (que corresponde ao total da contribuição negativa) for igual à área Sp (total da contribuição positiva até aquele instante).

Ao atingir o BREAK EVEN, rigorosamente o profissional ainda não trouxe nenhum benefício para a empresa em termos de resultados. Ele tão somente “pagou-se”. A partir desse ponto inicia-se a sua contribuição real para a organização.

O objetivo do ON BOARDING COACHING é assegurar que o PONTO DE INFLEXÃO ocorra entre 90 e 100 dias após o início das atividades do profissional no novo cargo, de tal forma que o BREAK EVEN seja atingido em 6 meses ou menos.

Em situações tradicionais, entretanto, a organização parte do pressuposto que o novo colaborador sabe ser um gestor (supervisor, gerente ou diretor) e que, portanto, não necessita grande orientação.

É como jogar uma criança numa piscina esperando que ela nade ou se afogue.

Uma pessoa com livre trânsito na organização e conhecida pela maioria (como é, por exemplo, o caso de uma secretária de um dos Diretores ou do Presidente), conduz o profissional num passeio turístico pela empresa, apresentando-o para os diversos diretores e gerentes.

Algumas poucas palavras são trocadas, completadas com frases do tipo “conte conosco” ou “se precisar de algo, é só pedir” e a missão é considerada concluída.

Um Mentor

Designar um mentor para acompanhar e guiar o novo colaborador nos seus primeiros passos é melhor do que nada, mas não resolve o problema. Usualmente, a mentoria não tem um objetivo específico, bem definido, como é o caso do ONBOARDING EXECUTIVO. Além disso, nem sempre o mentor consegue disciplinar-se no seu distanciamento objetivo e acaba por ser um influenciador das ações do seu orientado.

Programas não estruturados de ONBOARDING apresentam duas deficiências:

  • O período requerido para que se atinja o BREAK EVEN acaba se estendendo, chegando, muitas vezes, a um ano. Contudo, o novo colaborador não está sozinho. À sua volta gravitam subordinados, assessores imediatos, chefes, supervisores e colegas, cujo desempenho também é afetado negativamente.
  • Além disso, o novo colaborador não está familiarizado com a estrutura da organização nem com as redes informais de informação e comunicação. Não tem intimidade com a cultura corporativa nem como a forma pela qual são tomadas as decisões. Em decorrência, sua integração tem mais as características de uma infestação viral do que a da adição positiva de um novo reforço para a equipe. Suas primeiras ações afastam possíveis aliados, minam a sua credibilidade e estimulam ações defensivas. Nesse caso, a comparação viral é muito pertinente. O novo colaborador estimula o sistema imunológico da organização, o qual, uma vez ativado, submete o indivíduo ao ataque por células de defesa que o vão neutralizar, envolver e, finalmente, expelir. Em média, um ano e meio após, a própria organização dá o caso por perdido, quando o novo colaborador passa à categoria de funcionário cinzento: nem tão bom a ponto de ser promovido, nem tão ruim a ponto de ser demitido.

Um programa seguro e estruturado de ONBOARDING produz resultados reais e duradouros, bem como assegura maior probabilidade de sobrevivência e sucesso ao novo colaborador.

Ewaldo Endler (in memoriam)

Este artigo foi escrito por Ewaldo Endler (in memoriam), idealizador do Life Transitions. Com mais de 50 anos de atuação em Recursos Humanos e desenvolvimento de pessoas, deixou um importante legado de conhecimento e reflexão que continua inspirando pessoas em suas jornadas de transformação.