Life Transitions Primeiro Emprego
Life Transitions Primeiro Emprego

OS CINCO ERROS MAIS COMUNS QUANDO NA PROCURA DO EMPREGO E COMO EVITÁ-LOS

ERRO 1 – Não possuir um plano de trabalho bem estruturado e agir erraticamente.

É muito comum que a ansiedade faça com que pessoa em busca de um emprego inicie uma série de ações, sem antes haver definido o seu plano de pesquisa. O resultado são ações desconectadas, ao acaso, do tipo:

  •  Procurar um modelo de currículo e elaborar o seu seguindo a diagramação e a disposição dos assuntos do modelo, muitas vezes até copiando determinadas frases ou expressões;
  • Informar amigos, conhecidos mais próximos e parentes que está procurando um emprego e solicitar que o avisem se souberem de alguma oportunidade;
  • Adquirir jornais e revistas onde são publicados anúncios de vagas e procurar alguma que se enquadre no perfil do seu último emprego;
  • Inscrever-se em sites de divulgação de currículos;
  • Solicitar indicações ou buscar informações sobre empresas que se apresentam como especializadas em recolocação de profissionais e contratar alguma delas para distribuir seu currículo entre as organizações registradas no seu banco de dados;
  • Etc.

Observe que a ausência de um plano de trabalho impede que o profissional exerça o controle sobre sua vida. Não há como acompanhar o seu progresso, não há como avaliar o estágio em que se chegou e, principalmente, não há como tomar ações corretivas em casos de desvios.

A SOLUÇÃO PARA A AUSÊNCIA DE UM PLANO DE TRABALHO.

Não há uma fórmula mágica para substituir a ausência de um plano de trabalho ou de atividades estruturado de forma lógica, sistemático e que possa ser objetivamente avaliado e revisado. Se ainda não o fez, elabore um antes de começar a “dar tiros” ao acaso.

Não é complicado: a busca de um emprego é um processo de vendas da sua capacitação profissional. O plano é o usual para toda a venda:

  • Conhecer o produto que irá vender;
  • Elaborar um material de apresentação do produto;
  • Definir o seu potencial mercado comprador do produto;
  • Abordar os possíveis compradores;
  • Apresentar o produto ao possível comprador, demonstrando os benefícios que o mesmo irá auferir caso o adquira.
  • Negociar as condições de vendas.
  • Fechar o negócio.

Ainda persistem dúvidas? Tem dificuldades para elaborar esse plano de trabalho? Contrate um consultor de carreira para ajudá-lo.

Procure alguém ético e profissional, que lhe ofereça um trabalho estruturado com perspectivas realistas e sérias.

Fuja das promessas messiânicas dos que procuram convencê-lo de que, com um currículo tão bom quanto o seu, você pode tranquilamente se entregar nas mãos dele que, em pouco tempo, conquistará o emprego.

ERRO 2 – Objetivos difusos

Para executar uma campanha eficaz de caça ao emprego, o profissional precisa conhecer quais são suas habilidades comercializáveis, bem como onde e para quem poderá vende-las.

O fundamento do processo é compreender que nenhum empregador e nenhuma empresa estão interessados em contratar um profissional; seu interesse é contratar os benefícios que esse profissional trará para a organização.

Iniciar a busca sem antes conhecer qual o cargo ou função que deseja exercer e aquilo que tem para oferecer terminará em frustração.

Quando um profissional envia para um possível empregador um currículo genérico (aquele que utiliza em todos os seus contatos), sem especificar o porquê do seu interesse por aquela empresa ou aquele cargo em particular, está transferindo para o selecionador a tarefa de analisar e interpretar suas qualificações e, em decorrência, descobrir qual a sua utilidade. Contudo, o selecionador não está disposto a assumir esse trabalho.

Ele espera que o profissional defina como pode contribuir para os objetivos da empresa.

DESEJO é a palavra-chave.

Todo empenho deve ser concentrado em encontrar o trabalho que entusiasme e motive o profissional. Caso contrário, provavelmente, ele em breve estará novamente caçando um emprego.

A SOLUÇÃO PARA OBJETIVOS DIFUSOS

A resposta está no autoconhecimento.

  • Quais os aspectos do seu patrimônio profissional que mais deseja utilizar?
  • Quais as atividades que lhe dão mais prazer em exercitar no trabalho? (Não basta conseguir um emprego para fazer algo que você odeia).
  • Onde quer trabalhar (local, cultura empresarial, valores, crenças etc)?
  • Quais as 10 possíveis empresas que correspondem à sua lista de desejos e para os quais quer trabalhar?
  • O que você pode fazer por elas para melhorar o desempenho das mesmas?

Caso tenha dificuldade ou perceba que não conseguirá fazer isso sozinho, o profissional deverá contratar um conselheiro/coaching de carreira.

Investir em si mesmo e no seu autoconhecimento é atividade com retorno assegurado. Um bom conselheiro de carreira irá ajudá-lo a entender o seguinte:

  • Seus gostos e desgostos;
  • Suas habilidades diferenciadoras e que possuem valor para o futuro empregador;
  • As habilidades transferíveis que você mais gosta de usar;
  • Os seus mais marcantes traços de personalidade;
  • As competências que fazem de você um grande realizador;
  • O ambiente de trabalho e cultura empresarial que você mais valoriza.

ERRO 3 – Procrastinação

Muitos profissionais consideram-se permanentemente ainda não totalmente preparados para tomar a iniciativa e agredir o mercado de trabalho com energia e concentração.

Dedicam-se horas a aperfeiçoar seu plano de ação, a melhorar o sistema eficaz de registro de contatos, telefonemas e ações empreendidas, a implantação de um sistema automatizado e infalível do planejamento das ações de acompanhamento e feedback, a planilha Excell com todos os registros dos dados dos contatos, resumos de conversas e a programação dos próximos contatos etc etc.

Para Procrastinadores, todos eventos e circunstâncias são bons motivos para a adiar a ação, com desculpas do tipo:

  • Agora é muito tarde (ou muito cedo) para dar um telefonema;
  • Esta semana é curta, pois há um fim de semana prolongado e as pessoas estão concentradas noutros assuntos;
  • É fim de mês e fechamento do trimestre – é melhor deixar esse telefonema para a próxima semana;
  • Antes eu preciso terminar a décima revisão do meu currículo;
  • A minha agenda está bloqueada amanhã porque eu marquei uma consulta médica para a tarde;

A SOLUÇÃO PARA A PROCRASTINAÇÃO

A verdade é uma só: O PROFISSIONAL AMARELOU!

O impacto da demissão potencializou o terror pela perspectiva do fracasso! Ele tem medo de ser novamente rejeitado.

Na sua fantasia, as pessoas podem descobrir que ele não é realmente tão bom quanto diz.

A raiz do problema está na cabeça de cada um.

O profissional está confundindo a rejeição das suas qualificações profissionais com a rejeição
dele, como pessoa.

Quando uma empresa diz não a um candidato, isso significa que ela, no momento, não necessita as qualificações que ele possui, ou que encontrou outra pessoa cujas qualificações são mais adequadas às suas necessidades.

Não há nada de pessoal nisso; não há nenhuma conotação de gostar ou não gostar.

Manter-se ativo, com foco e energia é a única forma de obter o sucesso. De nada adianta o esforço de aperfeiçoar o seu currículo se o mesmo nunca é enviado.

Tenha em mente que:

  • No seu último emprego você foi contratado sem ter um currículo perfeito;
  • O importante é concentrar-se na qualidade dos seus contatos (selecionando as empresas para as quais seus atributos são muito adequados) e na quantidade (buscando insistentemente o contato através do envio de currículos, telefonemas, uso do network etc)
  • Nos últimos 12 meses, durante a maior recessão da economia brasileira, com o desemprego atingindo 14 milhões de pessoas, cerca de 14 milhões e seiscentos mil profissionais foram formalmente contratados com registro e carteira de trabalho assinada (Outros 15 milhões e oitocentos mil foram demitidos – fonte: MTE). A esse contingente de contratados soma-se a grande quantidade de profissionais de alto nível, em cargos de Diretoria e Gerência, que são contratados como PJ. 
  • Ou seja:
    14 milhões e seiscentos mil contratados num ano;
    40.110 contratados por dia, durante 364 dias por ano;
    1.671 contratados por hora, 24 horas por dia;
    28 contratados por minuto!!

Como primeiro comentário, devo dizer que não consigo acreditar que entre 14 milhões e seiscentos mil empregos não existiu nenhum que fosse adequado às suas qualificações.

Em resumo: você está desempregado ou porque nem mesmo conseguiu participar desses processos de seleção (talvez por procrastinação) ou porque não está se apresentando suficientemente preparado para competir (veja ERRO 5 abaixo).

No tempo em que você está lendo este artigo, dezenas de pessoas estão sendo contratadas!

Não há solução mágica: quanto maior o tamanho do funil, melhores serão os resultados.

ERRO 4 – Depender de terceiros

Não há dúvida de que contratar alguém ou uma empresa especializada em recolocação para realizar o trabalho de busca de uma oportunidade é muito cômodo e conveniente (principalmente se o profissional tiver bastante dinheiro para desperdiçar). Entretanto, não é eficaz.

Depender exclusivamente no trabalho executado por “especialistas” é uma forma de fugir da sua responsabilidade e de produzir desculpas para sua consciência, do tipo:

  • Seu destino “está em boas mãos”
  • “Conquistar o emprego é tão difícil nos dias atuais que nem mesmo um experiente consultor o consegue”
  • “Afinal fiz o melhor que pude, contratando alguém de alta reputação”.

Não se engane: a busca do emprego é uma atividade que somente pode ser realizada com eficácia pelo próprio profissional.

Claro que o suporte de um especialista (coaching, mentor etc) pode auxiliá-lo na tarefa, mas nunca o substituir. É indelegável!

A SOLUÇÃO PARA COMPARTILHAR O PROCESSO COM TERCEIROS

O profissional deve definir o seu plano de trabalho (ERRO 1), deve selecionar as empresas-alvo de sua busca e pessoalmente coordenar a abordagem de cada uma delas, estabelecendo ele próprio os contatos.

Nunca um terceiro pode falar em seu nome.

Ninguém jamais poderá conhecer nos detalhes e profundidade necessários o conteúdo do seu patrimônio profissional para avaliar corretamente qual o potencial de contribuição que poderá aportar para o futuro empregador.

Ninguém conseguirá estar tão emocionalmente envolvido na tarefa de caça ao emprego quanto o próprio profissional.

Pode contar com o auxílio de terceiros, mas é necessário que esteja em cima de todos os detalhes de sua busca, pessoalmente, a cada minuto.

Nada menos do que o seu compromisso pleno com o seu próprio sucesso.

Sua campanha deve envolver todas as armas e recursos possíveis:

  •  Networking;
  • Redes sociais (Linkedin, Facebook, Twitter, sites de busca como o Google e outros);
  • Recrutadores ou head hunters;
  • Coaching de carreira;
  • Abordagem direta de prováveis empregadores;
  • Anúncios classificados de oferta de empregos;
  • Inscrição nos sites das empresas-alvo;

ERRO 5 – Estar despreparado para competir

Não há nada mais constrangedor na vida de um profissional do que participar despreparado de uma entrevista.

É como pedir para ser destroçado.

Ótimos profissionais desmoronam e se perdem, demolidos por perguntas óbvias e simples como:

  •  Além daquilo que já lhe disseram nestas entrevistas, o que mais você sabe sobre nossa empresa?
  • Porque nós devemos contratá-lo para este cargo?
  • Fale-me a seu respeito.
  • Qual a sua maior realização profissional?

Porque isso ocorre? Porque o profissional está mais interessado em si mesmo e seu foco é resolver o seu problema, que é o fato de estar desempregado.

Não tem a consciência de que o foco da entrevista não é o seu currículo ou as suas qualificações.

O foco é o futuro empregador, quais os problemas dele e como a sua qualificação profissional poderá tornar melhor o desempenho da empresa em questão.

 A SOLUÇÃO PARA NÃO ESTAR DESPREPARADO

Pesquisa, pesquisa e pesquisa. E, depois que já pesquisou, pesquise ainda mais.

Antes de se apresentar para uma entrevista, o profissional deve saber tudo o que for possível saber a respeito da empresa.

Para isso, utilizar todos os meios disponíveis nas redes sociais, procurando notícias que tenham sido publicadas sobre a empresa ou seu mercado, nomes de pessoas chave (complementada por pesquisas no Linkedin), balanço ou relatório anual, relação de pessoas que trabalham ou trabalharam nessa empresa, visando identificar contatos úteis, recursos de redes sociais, linha de produtos, posição face à concorrência, ameaças locais e internacionais, quem do seu network tem alguma informação sobre a empresa ou sobre seus dirigentes, pesquisar no Facebook, Twitter etc.

Caso saiba o nome de quem o irá entrevistar, abrir um novo campo de pesquisa.

Essa pessoa tem registro no Linkedin? Alguém do seu network a conhece? Como ela(e) se comporta? Qual o cargo na organização?

Complementando o conhecimento sobre a empresa, identificar quais os aspectos do seu patrimônio profissional que podem ser úteis para essa organização, no estágio em que se encontra e nas eventuais dificuldades que esteja encontrando.

Qual a contribuição que o profissional pode trazer para a empresa?

Preparar respostas para possíveis perguntas ou preparar frases que sirvam para ressaltar como suas habilidades e experiências poderão resolver problemas.

Principalmente, ouvir. Ouvir e tomar notas de pontos importantes do que lhe seja dito.

Procurar fazer um resumo com o apanhado desses pontos e ressaltar como suas qualificações farão a diferença nos resultados da empresa.

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

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