Post Life Transitions Emprego após os 50 anos
Post Life Transitions Emprego após os 50 anos

PORQUE É TÃO DIFÍCIL CONSEGUIR EMPREGO APÓS OS 50 ANOS?

Análise recente conduzida por Torsten Slok demonstrou que, pela primeira vez na história, na Terra há mais pessoas com idade acima de 65 anos do que pessoas com menos de 5 anos de idade.

O envelhecimento da população mundial é uma realidade e, em duas décadas, a proporção será de 2 pessoas com 65+ para 1 com 5-.

Essa realidade coloca-nos em confronto com dois problemas: um deles de política de governo e o outro de eficiência e competitividade empresarial.

O primeiro caracteriza-se pela desestruturação dos sistemas de previdência social, já que os governos não terão como sustentar a massa de aposentados e pessoas fora do mercado de trabalho por idade.

No Brasil, isso se reflete no assunto do momento, que é a Reforma da Previdência. O envelhecimento da população não irá cessar e, dentro de duas ou três décadas, estaremos todos novamente discutindo a necessidade de reformar o que já foi reformado.

Os 50+

O segundo problema é o mais grave, pois atinge diretamente a população 50+, que encontra muita dificuldade em conseguir emprego. Porquê?

Dados numéricos objetivos (não se trata de opinião) demonstram queda de produtividade per capita à medida em que a população envelhece. Ou seja, a economia torna-se menos eficiente e as empresas menos competitivas.

Essa é a razão pela qual a Alemanha acolheu, a partir de 2015, centenas de milhares de refugiados e está investindo pesadamente na qualificação profissional deles através de programas de ensino à distância.

Não se trata do cansaço ou da falta de energia do idoso. O real problema é a dificuldade que o mais idoso tem em acompanhar a revolução tecnológica que está ocorrendo no mundo e em integrar novas tecnologias no seu trabalho.

Isso ocorre em grau progressivamente maior à medida que se avança na idade.

Não é dificuldade de aprendizagem. É muito mais! Trata-se de resistir à inovação, prendendo-se à ideia de que “antigamente tudo era melhor”.

Não é um boicote físico: é mental.

Em decorrência, a convivência de pessoas 50+ com a geração do milênio (jovens que entraram no mercado de trabalho após a virada do século, no ano 2.100) torna-se cada vez mais difícil, pois abre-se um abismo na comunicação e nas atitudes.

Ninguém pretende que uma pessoa 50+ entenda de Inteligência Artificial, Big Data, Deep Learning, Machine Learning, nuvem, sistemas reconhecimento facial, customer experience, projetos de virtualização, realidade aumentada, impressão em 3D, Internet das Coisas etc.

Contudo, deve ser capaz de manter com esses assuntos o mesmo tipo de relacionamento que tem com a sua geladeira.

Não precisa saber como ela funciona; mas deve saber para que serve, como e quando usá-la, quais as limitações e quais os cuidados que requer.

Acima de tudo, deve ser capaz de tomar decisões envolvendo esses assuntos.

Além disso, a pessoa deverá possuir os assim chamados “softskills”, os quais dependem de atitude, tais como: criatividade, persuasão, colaboração, adaptabilidade e gerenciamento do tempo.

Não desista, não resista

Há anos atrás estive na Inglaterra, hospedado em casa de amigos, fora do circuito das grandes cidades, na região do Surrey.

Fiquei muito surpreso ao ver pessoas idosas trabalhando como empacotadores em supermercados.

Eram senhorinhas com o cabelo pintado de cores inacreditáveis, como laranja luminoso, pesadamente maquiadas com tons de rosa e azul.

Para mim era até mesmo constrangedor ser servido por uma idosa que empacotava minhas compras, quando minha educação me dizia que eu é que deveria servi-la.

Eu realmente me sentia muito mal com a situação.

Hoje reconheço que, para pessoas nessa idade, que não estejam atualizadas com o mundo moderno, não lhes restarão muitas outras alternativas de trabalho.

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

Este post tem 2 comentários

  1. Geraldo Melo

    Estou tentando voltar ao mercado de trabalho mantendo meu perfil atualizado e buscando oportunidades no Canadá e Brasil, onde sou cidadão e fazendo networking como posso.

  2. Francisco Jose Garcia

    O problema do preconceito nao e so do Brasil, e mundial!

    para alguns subempregos ainda funciona. para posicoes gerenciais somente com QI Muito ALTO. ( Quem indica)

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