Post Life Transitions Emprego e Renda após os 50 anos 1
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IDADE 50+: EMPREGO OU TRABALHO E RENDA? – PARTE 1

A missão Apollo XIII ficou mundialmente conhecida como o “fracasso mais bem-sucedido da história”.

O episódio, dramatizado em filme protagonizado por Tom Hanks, trouxe importantes informações no campo de resolução de problemas.

Na ocasião, a NASA utilizava uma abordagem para tomada de decisões e resolução de problemas desenvolvida por Charles Kepner e Benjamin Tregoe, denominada Rational Thinking.

Qual a relação desse assunto com a busca do emprego após 50 anos? É o que procurarei demonstrar a seguir.

Os dois conceitos fundamentais

  1. A definição do que é um problema: é a escolha de uma, entre várias alternativas de ação possíveis.
  2. A importância do enunciado: 60% da resolução de um problema depende da adequada definição do mesmo.

No caso da Apolo XIII todos os problemas possuíam solução, com a restrição de que somente poderia ser adotada a alternativa que utilizasse aquilo que estivesse disponível dentro da nave.

Em se tratando de possuir idade 50+: existe alternativa de ação para esse fato? Há uma “fonte da juventude” que possa reverter a sua idade? Não; então, sua idade não é problema. É uma característica, ou fator restritivo (leia mais em: “O que você vai fazer nos próximos 40 anos?”).

O assunto é mais profundo do que aparenta.

Enquanto a pessoa não se convencer emocionalmente de que a sua idade não é problema, mais difícil será atingir seu objetivo profissional.

Ainda que não declarado, o assunto estará presente nas atitudes, na espontaneidade do contato, na postura corporal (leia mais em: “O corpo fala”), no olhar e na expressão facial, na retração e falta de energia, no riso falso, no aperto de mão e em tudo o mais que decorre num contato ou numa entrevista.

Pequena alteração na sua postura, provoca mudanças hormonais na corrente sanguínea, que alteram sua segurança e sua dominância (leia mais em: “Você está querendo apequenar-se ou avolumar-se”).

O entrevistador terminará com a sensação indefinida de que “algo, que eu não sei bem o quê, não me convenceu nessa pessoa”.

Por outro lado, qual o seu objetivo?

Conquistar o novo emprego?

Você percebe que um objetivo assim formulado impõe a adesão a uma série de limitações e de procedimentos?

Por exemplo, se você decide procurar um emprego, isso vai obriga-lo a:

  • Tentar identificar vagas, ou oportunidades existentes nas empresas;
  • Estabelecer um primeiro contato com a empresa através do seu currículo;
  • Perder o controle da situação. O profissional é obrigado a entregar o seu destino para um terceiro, aguardando a decisão do mesmo de chama-lo, ou não, para uma entrevista (leia mais em: “Seu Currículo está sendo ignorado?”);
  • Submeter-se ao ritual de contratações da empresa, passando por sucessivas etapas, ou entrevistas, elevando, a cada passo, o nível da pessoa que o entrevistará (leia mais em: “Qual o interesse de cada entrevistador?”).

Contudo, mais importante do que todos esses fatores descritos, tem-se a constatação de que o processo de seleção passa a girar em torno do saber fazer, ou seja, da comparação dos conhecimentos e experiências dos candidatos em relação ao que é requerido para o exercício da função.

No quesito “saber fazer”, o profissional 50+ não é imbatível!

Na realidade, o profissional 50+ somente é imbatível se ele possuir uma qualificação particularmente rara, como, por exemplo, ser especializado em apagar incêndio num poço de petróleo, ou um especialista em engenharia de módulos do programa aeroespacial, etc.

Caso, entretanto, sua qualificação seja mais “normal”, em marketing, finanças, propaganda, vendas, comunicação, engenharia, produção, desenvolvimento de sistemas, programação etc, qualquer que seja o seu conhecimento, milhares de outras pessoas também o possuem!

Como referência, tome por base a idade que você possuía, no momento em que conquistou o seu cargo atual ou o último cargo quando empregado.

Saiba que agora, neste momento, existem centenas de profissionais, tão ou mais qualificados do que você era à época de sua promoção, igualmente brilhantes, ambiciosos, cheios de energia e entusiasmo, preparados para tomar o seu lugar.

Conclusão: não será somente o conhecimento que conquistará o seu emprego!

Leia a continuação deste artigo em: IDADE 50+: EMPREGO OU TRABALHO E RENDA? – PARTE 2

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

Este post tem 4 comentários

  1. jose carlos camean coelho

    Concordo com a explanação mas na questão conhecimento acredito que realmente existem vários profissionais mais jovens que detém esse conhecimento, mas a experiência de ter vivido varias situações e decisões no âmbito corporativo de um profissional 50+ e que esteja em condições de continuar na vida profissional mesmo tendo aposentado formalmente pode contribuir muito para a empresa , mas atualmente os gestores de RH não tem essa consciência na sua grande maioria .

    1. EWALDO ENDLER

      O seu comentário está corretíssimo. Não é somente o conhecimento que irá conquistar trabalho e renda para o 50+, seja ele na forma de emprego ou de alguma das outras alternativas que apresento no post. Aquilo que os americanos chamam de added value, ou seja, o valor agregado que você pode oferecer é algo que vai além do conhecimento. O problema do profissional é saber qual é o valor agregado que ele oferece e se apresentar como solução para um problema da empresa. A regra, entretanto, não é uniformemente verdadeira. Varia de pessoa para pessoa. Há aqueles que possuem 20 anos de experiência e outros que possuem 20 vezes a experiência do primeiro ano. Tudo depende da busca do conhecimento e do empenho em atualização de cada profissional.

  2. Márcia Leonides Lima Loureiro

    Boa noite.
    Grata por enviar este email.
    Vou continuar analisando o conteúdo. Concordo com o senhor José Carlos quando diz que pessoas com 50 anos ou mais tenha experiência suficiente para ajudar qualquer empresa, e sim contribuir para melhores escolhas. O que realmente precisa é de mudar alguns conceitos um tanto discriminatório e valorização para aqueles que de certa forma já serviram e adquiriam experiências diversas vida a fora. Algo que os empresários deveriam ver com bons olhos.
    Márcia Leonides Lima Loureiro

  3. EWALDO ENDLER

    Agradeço suas observações e concordo em termos gerais com as mesmas. Não podemos perder de vista, contudo, que as empresas têm fins lucrativos (salvo governo, fundações e ONGs). O profissional 50+ deve ser capaz de demonstrar como a sua experiência será revertida em melhores resultados para as organizações. Somente a experiência em si não resolve. A grande pergunta é: “de que forma a sua experiência tornará a empresa mais lucrativa?” Seu trabalho vai reduzir custos? Vai trazer mais recursos financeiros, na forma de mais vendas ou menor prazo de recebimento das faturas emitidas? Vai reduzir a inadimplência e a conta de devedores duvidosos? Vai permitir a redução de pessoal em decorrência da racionalização dos serviços? Vai criar uma equipe mais motivada e cheia de energia, com aumento da produtividade? Em resumo: QUAL A CONTRIBUIÇÃO QUE SUA EXPERIÊNCIA TRARÁ PARA OS RESULTADOS DA EMPRESA? No seu currículo, que será analisado pelo RH, ao invés de descrever suas funções, demonstre essa contribuição e como a empresa será melhor se a contratar.

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