Post Life Transitions Informação
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AS FORÇAS MUDANDO O MERCADO DE TRABALHO

(este texto corresponde à primeira parte de conferência proferida pelo autor em 1997, em Congresso Internacional de Recursos Humanos, sediada naquele ano em Caracas, na Venezuela)

Estamos vivendo uma revolução.

Ela será provavelmente denominada de “Revolução da Informação”, por similaridade ao que hoje referimos como sendo a “Revolução Industrial”.

Ela já tem definida a sua data de início: 1991.

Nesse ano, pela primeira vez na história da humanidade, nos Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo, os investimentos em tecnologia de informação superaram os efetuados em tecnologia da produção ($ 112 bilhões investidos em tecnologia da informação, contra $ 107 em tecnologia da produção).

A criação da www um ano antes propiciou, por seu lado, a possibilidade do livre curso da informação e do conhecimento em escala mundial.

A Revolução Industrial teve o seu início por volta de 1750, com o aperfeiçoamento da máquina a vapor e o desenvolvimento tecnológico da associação do ferro e carbono para a produção do aço.

A Revolução Industrial

Além das grandes alterações no sistema produtivo, com o surgimento das fábricas nas quais reuniam-se massas de trabalhadores, a Revolução Industrial trouxe, sobretudo, profundas modificações na estrutura social, caracterizadas, entre outras, por:

  • Deslocamento da população rural para urbana, com o crescimento das cidades, onde concentram-se os grandes contingentes de mão de obra necessárias para o funcionamento das indústrias. Decorrem deste fenômeno consequências tais como a criação de sistemas de transporte de massa, o aparecimento das áreas deterioradas onde residem os despossuídos, concentração de riquezas e aprofundamento dos desníveis sociais, surgimento de movimentos como o socialismo e o anarquismo etc.
  • Criação dos recintos de produção, com a capacidade de abrigar os trabalhadores, na forma das grandes fábricas e grandes edifícios de escritórios.
  • Desenvolvimento de sistemas logísticos de movimentação e armazenamento, que asseguram a distribuição de bens em áreas extensas, ultrapassando os limites da proximidade dos pontos de produção.
  • Criação do estado nacional, com a função de defender e proteger os interesses dos industriais. Grandes guerras com motivação básica econômica.
  • Reestruturação política dos países, com o surgimento dos sistemas democráticos, os quais propiciam que a estrutura de poder da sociedade melhor corresponda à nova realidade, na qual a mobilidade social vertical é maior.
  • Centralização do conceito de riqueza no de acumulação de capital.

A par disso, a Revolução Industrial criou realidades impensáveis e inimagináveis pelo trabalhador rural, que então predominava.

A ideia de que pessoas, em grandes massas, iriam apresentar-se diariamente para trabalhar em fábricas ou em escritórios, todos no mesmo lugar e ao mesmo tempo, era absoluta novidade.

Naquele tempo, o trabalhador caminhava para o seu trabalho, no campo ou no estábulo, após o café da manhã.

A noção de estabelecer um local e um horário para o trabalho era antinatural, contra o desígnio de Deus, quase que uma heresia.

A vida das pessoas era determinada pelo sol.

Até o século dezenove, não havia a padronização do tempo no mundo.

A convenção internacional dos fusos horários foi estabelecida em 1884 e ignorada até Primeira Guerra Mundial.

O apito da fábrica às oito horas, o chefe, o gerente. o trabalho das nove às cinco, as crianças na escola e a esposa no lar são invenções da Era Industrial.

A Era da Informação

Hoje nos é difícil compreender o trabalho na Idade Média, quando o homem era livre, mas parte da propriedade rural, como todos os demais edifícios, plantações e animais da fazenda.

Da mesma forma, para o homem da Era da Informação será muito difícil compreender como pessoas, no século XX, saíam todos de casa mais ou menos no mesmo horário, espremiam-se como gado em transportes públicos ou metiam-se por horas seguidas em congestionamentos monstruosos, reuniam-se, todas juntas, em edifícios, muitas vezes lúgubres, executavam tarefas monótonas e de baixa intelectualidade, seja em escritórios ou em fábricas, realizando movimentos repetitivos por horas, em atividades que poderiam facilmente ser executadas por macacos ou pombos adestrados e retornavam às suas casas em novas manadas.

Será igualmente difícil compreender que, em decorrência da dinâmica das mudanças e da velocidade com que se desenvolvem novos conhecimentos, venham a existir pessoas que completem seus estudos aos 25 anos de idade e se tornem intelectualmente obsoletas aos 30.

Claro que o conhecimento sempre foi importante – não é à toa que nós somos conhecidos como homo sapiens sapiens, ou seja, o homem que pensa.

Através da história, os vitoriosos sempre estiveram entre aqueles que dominaram o conhecimento: desde os primitivos guerreiros que aprenderam a manufaturar armas de ferro e com isso derrotaram os exércitos armados com bronze; até os homens de negócios americanos que, durante mais de cem anos, foram os beneficiários do mais abrangente sistema de escolas públicas, que lhes proveu mão de obra educada e pronta para ser treinada.

Entretanto, o que há de novo é que o conhecimento é hoje mais importante do que nunca.

Nosso inventário de capital intelectual faz a diferença porque nós estamos no transcurso de uma revolução que está criando a Era da Informação.

Em realidade, o conhecimento tornou-se o mais importante recurso econômico de nossa sociedade; mais importante do que matérias primas; muitas vezes, mais importante do que o capital.

Um dos efeitos mais sensíveis da Revolução da Informação é a drástica redução nos níveis de emprego.

Atualmente, nos países mais desenvolvidos, cerca de 3% da população economicamente ativa trabalha na agricultura, produzindo tudo o que se necessita para comer.

A grande questão é saber como será estruturado o mundo quando outros 3% dessa população for capaz de fabricar todos os carros, refrigeradores, eletrodomésticos, vestuário etc. necessários.

Note-se que esta não é uma proposição descabida, pois decorre da sistemática robotização dos meios de produção.

Atualmente na China inicia-se nova fase de robotização da indústria automotiva, com a eliminação prevista de 30.000 empregos.

Outro efeito da Revolução da Informação é o fato de que, em muitas das atividades empresariais, torna obsoleta e desnecessária a reunião de pessoas todas juntas num só local para trabalhar.

Mais e mais amiúde, pessoas passarão a trabalhar em casa.

As estimativas, no ano de 1992, indicavam que já existiam cinquenta milhões de escritórios instalados em lares nos Estados Unidos, com uma utilização mínima de oito horas por semana.

Este fato evidencia que ocorreu uma revolução no conceito de residência e de arquitetura.

Quantos de nós fomos criados em lares que possuíam um home office?

Desde quando os projetos de novos apartamentos e novas residências já incluem o escritório?

Está em processo, igualmente, a desurbanização das cidades, com parcelas da população deslocando-se de volta para regiões mais rurais, já que o trabalho em casa, as compras eletrônicas e por Internet, as trocas eletrônicas de dados etc., tornam desnecessária a presença física das pessoas junto aos locais de ocorrência dos eventos.

Algumas Consequências

Algumas de suas decorrências serão:  

  • Qualidade de vida melhor, mais próximo à natureza e livre do ambiente agressivo e inóspito de uma grande cidade;
  • Maior equilíbrio emocional, pois, o homem livra-se da pressão da grande concentração humana, que representa uma sistemática invasão de seu “espaço de segurança”;
  • Mais tempo disponível, ao livrar-se das duas horas diárias gastas em deslocamentos da casa para o trabalho e vice-versa, com incursões ao supermercado, o shopping center etc. Estas horas adicionais serão transformadas na compra de novos serviços e de lazer, a prática de esporte, a comunicação e confraternização, os clubes de interesses comuns etc.
  • Progressiva ociosidade da estrutura implantada para viabilizar a movimentação de grandes massas humanas, com momentos de pico ao longo do dia, como trens, metrôs e sistemas viários, bem como a reformulação das atividades de prestação de serviços implantadas para atender a essas massas, em alimentação, estacionamentos, lavanderias e demais serviços pessoais. 

Ewaldo Endler

Sócio da Next Steps e da Lifetransitions. Começou como executive search em 1972 e desde então tem desenvolvido uma larga experiência em várias organizações globais. É Coach em transições profissionais: A Conquista do Emprego, Planejamento de Carreira, A Recolocação Profissional, Preparação para Aposentadoria, Onboarding Executivo, Assessor na elaboração do currículo e em networking.

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